domingo, 20 de abril de 2008

No Comment

" Senhor homicida, não me mate!!! Eu morro sozinho!!!

Vou-me lixar à grande a sociedades…

Qual a natureza jurídica de uma grávida?

Será sociedade ou associação em participação?

(nota: esta questão serve para uma gravidez muito particular em que o Pai, que é o Filho, constituiu como mandatário um anjo para celebrar o contrato com a Mãe que o aceitou sem consultar aquele que iria ser o pai putativo.)

domingo, 10 de fevereiro de 2008


Miguel Torga

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Das corporações

Fui fazer uma visita a uma tia, para me despedir antes de voltar ao trabalho e vejo um livro de leitura da quarta classe com um texto não sei de quem, a dizer que Portugal tinha a glória que tem por causa dos regimes corporativos. Hoje, dizia-se, ainda teremos maior glória porque nos comanda o professor Salazar.

Daqui aonde eu quero chegar é só um passinho...

Voltei para casa e detenho-me a ler uma entrevista com o Bastonário de uma corporação, a Ordem dos Advogados (O.A.). De entre as coisas que se lêem surgem-me duas. A vontade do senhor querer aumentar as barreiras à entrada da profissão, que me parece cada vez mais um absurdo tendo em conta a "bolonhização" dos cursos, ou seja, a hipotética capacidade de eu conseguir dominar todo o direito em todos os países da Europa (isto, depois de dominar a sua língua... e a sua cultura... e a sua realidade sociológica... e a sua realidade política... e o seu sistema jurídico... e a sua dogmática... e de enfrentar as corporações locais... hum! Para quem se esqueceu ou não sabe, o curso de Direito foi reduzido para 4 anos nas faculdades de direito e 3 naquelas que vendem um diploma de direito).

Tem de se defender a profissão daqueles que estudam nalgumas faculdades privadas e têm grandes notas e uma cultura jurídica fraca. Até se falava num exame de acesso ao estágio...

Pois, mas essa conversa da regulação faz sentido quando estamos dentro de uma ordem, quando ainda não estamos lá é um problema. Tentemos analisar isto sob um manto de ignorância e vejamos se será assim tão líquido. Não faz sentido nenhum deixar a vida de um estudante, que à custa de maior ou menor esforço conseguiu reunir as ferramentas necessárias para exercer uma profissão, às mãos e ao arbítrio de uma corporação de uma burocracia e de um formador bem como aos “numerus clausus” de qualquer ordem que servem, mais do que para garantir a qualidade dos serviços, para manter nichos de mercado para os que já estão instalados.

Quanto ao problema de saber o que acontece quando vamos ser servidos por maus profissionais, acho que se eu for a um advogado que me perde causas sucessivas quando eu tenho fortes razões para acreditar que irei ganhar, deixarei de lá ir apesar de toda a arte e imponência que possa ter o dito escritório para apagar essa tal racionalidade, além disso há grandes escritórios com pessoas que passaram no exame que mais não fazem do que “esparguete jurídico”. Os clientes sempre poderão ver o seu direito assegurado através de recursos e de pedidos de indemnização ao mau profissional. Além do mais não estamos a falar de total desregulação mas de retirar algumas barreiras à entrada nos mercados.

Há mestres em Direito, a dar aulas em faculdades que apenas aceitam pessoas com elevado grau científico, que prestaram várias provas, com teses brilhantes, muitas vezes citadas em tribunais que reprovam nos exames da ordem quando estes até lhes correram bem.

Um caso concreto, contado em público por alguém que eu não digo: O senhor A na altura recém-licenciado e assistente de uma faculdade, vai fazer o exame de admissão à ordem dos advogados. Neste era pedido para fazer uma petição inicial, em 10 valores que valia a pergunta teve 3. Triste, em conversa com o seu patrono, um ilustre ex. bastonário da ordem dono de um grande e conhecido escritório, mostra-lhe a tal petição. Depois de uma análise o patrono diz-lhe:"-A, eu não fazia uma peça destas…"

A segunda coisa que me deixou pasmo foi esta frase: "conheço um caso de um arguido condenado a dois anos de cadeia defendido por um advogado estagiário que reprovou no fim do estágio." não se analisa a qualidade do serviço prestado, se reprovou no estágio é porque era mau, não sabia nada daquilo. Se calhar livrou o arguido de vários anos de cadeia por homicídio, se calhar o caso não tinha pontas por onde a defesa pudesse pegar, não se diz se o caso era fácil ou difícil de defender, só se diz que reprovou no exame, deve ser mesmo mau!

Reprovou num exame feito por formadores da O. A.. Não me parece que estes sejam nenhuns Gomes Canotilhos, Castanheiras Neves, Migueis Teixeiras de Sousa, Paulas Costa e Silva ou Jorges Mirandas, talvez também não sejam Marcelos Rebelos de Sousas, Antónios Menezes Cordeiros ou Paulos de Pitta e Cunha, Marias Fernamdas Palma, Marias Luisas Duartes, Josés de Oliveira Ascenções, Martins ou Ruys de Albuquerque, ou Manueis Lopes Porto... podia continuar mas já deu para reparar onde se quer chegar. Esses formadores podem ser até muito bons mas não serão assim tão bons que se possam afirmar melhores do que alguns Professores de direito que iniciam os seus cursos com frases do tipo: " temos menos tempo de aulas mas mais material a analisar logo temos mais trabalho, portanto, cientes de que este ano alargámos os conteúdos e de que o mercado de trabalho não se contenta com os medianos vamos trabalhar".

(Post Scriptum: Não querendo vilipendiar ninguém mas os bons advogados que não dão aulas em faculdades prestigiadas, não me parece que tenham tempo para dar formações deste tipo na O. A., se calhar estou enganado!)

Criacionismo



Bem, como escreveu António Truyol y Serra no seu Genèse et fondements spirituels de l'idée d'une communauté universelle (se é que eu ainda me lembro do que ele escreveu), o Génesis mostra-nos que somos todos irmãos que fazemos parte do mesmo grupo.

Belo mito.

Do "mestre" - Poema em linha recta


Alvaro de Campos

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ecos de há cem anos

(Arauto) “-O Rei Morreu!”
(Povo) “-Viva o Rei! (mas só mais um poucochinho...)!”

(Povo, segredando) “- Daqui a dois anos, nos nonos de Outubro, voltamos a falar!”

Nem sei que pensar, (mais verborreia)

Ao ver uma entrevista de alguém que não vou nomear, lembrei-me de umas coisas que vi durante uma das noitadas que se faziam no segundo e no terceiro ano, como não consegui encontrar está aqui um sucedâneo. O anuncio que eu vi era a um livro que se chama “Natural Cures They Don't Want You To Know About”, onde o senhor autor do livro arranjava umas teorias da conspiração quaisquer para dizer que “as pessoas morrem porque as farmacêuticas só pensam no lucro”.

Este é sobre o endividamento.





É certo que se passam coisas de bradar aos céus, que têm de acabar, neste jardim à beira mal plantado, mas… isto não é combater a corrupção, é manipulação. Ao menos que sirvam para chamar a atenção de todos que é necessário combater a corrupção quer para o bem do património e dos direitos dos cidadãos quer para proteger as pessoas da demagogia.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ficou uma porcaria mas serve, pelo menos, para tirar a poeira

Não sei como o escrever "Sed multum longo interuallo sunt ista simili; nec tota enim simul sonat quaelibet uox, quia per tempora tenditur et producitur et aliud eius prius sonat aliud eius prius sonat aliud posterius, et omnis uisibilis tamquam intumescit per locus Nec ubique tota est." já o dizia o Hiponense.

Somos uns bichos estranhos, fomos dotados de um objecto que nos faz dominar todos os outros animais mas que, ao mesmo tempo, nos cria uma grande fraqueza. Com ela descobrimos os segredos da natureza e através dela descobrimos a nossa efemeridade e a nossa solidão.

Neste momento estou sozinho a passar uma mensagem que nada mais é que uma parte ínfima daquilo que eu quero expressar e que vai ser transformada naquilo que alguém quer entender, vai ser "a dor lida que eles têm" como dizia Pessoa na sua Autopsicografia.

Criámos um Deus que apenas serve para não borrarmos as calças na hora da morte, para podermos viver sem medo dela, para nos podermos resignar, para nos ajudar a organizar politicamente, para podermos abusar santamente dos outros. A esta certa conclusão chega Unamuno (ainda não percebi como, depois dela, ele ainda consegue, ou melhor, conseguiu continuar católico).

Agora, tal como Evódio (antes de ter sido convencido por Santo Agostinho de que o livre arbítrio era um bem) vou perguntar-vos se a razão é um bem? Dir-me-eis certamente que sim, e eu concordo com isso, é através dela que conseguimos dominar (e destruir) o mundo. Somos os únicos que recebemos o ser o viver e o entender, é por este último que dominamos o mundo mas também somos dominados pela nossa condição de vivos.

Aquele que num documentário mandou para "a puta que os pariu" a nova geração de escritores portugueses, quando lhe tinha sido pedida uma frase de estímulo para os ditos, Luiz Pacheco, escreveu numa singela carta a uma companheira que gostaria que ela se lembrasse dele dali a cem anos, mas presumia que ela nem sequer se lembrava daquilo que tinham feito. Nem dele se lembrava no presente. Se ninguém se lembra de mim enquanto entendimento como será quando for apenas ser.

Muitos de nós começam a destruir o panteão tentar destruir os velhos ícones para se poderem instalar no Mausoléu. Seremos recordados como aqueles que IMITARAM.

Ora foda-se (para aproveitar a boleia de Pacheco)!!!

Não fazemos nada mais, nada menos do que imitar. Clarificamos discursos anteriores muitas vezes com grande sageza, contudo, como dizia Kant, temos todos a mesma estrutura de pensamento, é naïf quem pensa que inovamos muito. Citando alguém "não passamos de um anão em cima de um gigante."

E agora que fazemos? Exultemos e jubilemos, afinal de contas ninguém está bem com o que tem, se tivéssemos a eternidade achávamos uma merda (já estou a abusar) porque não dava para sentir o terror de ter de aproveitar o tempo. Como dizia Homero "os deuses invejam-nos porque somos mortais", deuses antropomórficos que tinham essa coisa feia, a inveja, como nós temos quando nos comparamos, se aquele sofre eu quero sofrer. Se eu não sofro sinto-me mal por isso, se estou feliz arranjo logo problemas para ficar triste, não estamos bem de maneira nenhuma porque se estivermos bem aborrecemo-nos desse estado. Queremos sentir-nos vivos.

O melhor é viver o nosso contentamento descontentes e descontentar-nos contentemente.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Os monárquicos, Aquilino Ribeiro e a estupidez

Ouvi dizer que não se devia transladar Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional porque apesar de ter tido um papel importante na História de Portugal ele participou na morte do Rei d. Carlos.

"Não devemos permitir que alguém que pratica actos sanguinários seja transladado para um lugar de destaque uma vez que para trazer a liberdade Aquilino participou num homicidio, não são esses os valores que devemos passar." (E, à luz do que este senhor disse, quais valores é que não devemos passar os da liberdade ou os da violência?)

Usando a mesma argumentação: penso que deveriamos transladar para campa rasa o túmulo de D. Afonso Henriques… Também matou, até andou à pancada com a mãe, para nos libertar de Castela (com a sua diferença acaba por ser análogo)…

Assim a pretenção dos monárquicos ainda fica mais parecida com o que é… desencabrestada e sem fundamento.

sábado, 15 de setembro de 2007

Esta já é velhinha

Mandaram-me isto há muito tempo por e-mail:

FRASES FAMOSAS


 

Presidente da Junta de Freguesia do Fundão :

Depois de algum tempo , a água corrente foi instalada no cemitério , para satisfação dos habitantes .

Dr. Alves Macedo – Oncologia

Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de cancro a cada ano .

Manuela Moura Guedes

Os sete artistas compõem um trio de talento .

Agente Paulo Castro – Relações Publicas da Policia Judiciária

A policia encontrou no esgoto um tronco que provém , seguramente , de um corpo cortado em pedaços . E tudo indica que este tronco faça parte das pernas encontradas na semana passada .

Angelo Bálsamo – Jornal o Incrível

A vitima foi estrangulada a golpes de facão .

António Sesimbra – O Independente

Um surdo-mudo foi morto por um mal entendido .

Rui Lima – Jornal a Bola

Os nossos leitores nos desculparão por este erro indesculpável .

António Tadeia – Crónicas do Correio da Manhã

Há muitos redactores que , para quem veio do nada , são muito fieis às suas origens .

Dr. Joaquim Infante – Hospital Santa Maria

Ela contraiu a doença na época em que ainda estava viva .

Diário da Universidade de Bragança

A conferência sobre a prisão de ventre foi seguida de um farto almoço .

António Bravo – SIC

O acidente provocou uma forte comoção em toda a região , onde o veículo era bem conhecido .

Luís Fontes – A Capital

O aumento do desemprego foi de 0% o mês passado .

Ribeiro de Jesus – PSP de Faro

À chegada da policia , o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel .

Eng.º Paulo Assunção – EDP

As circunstâncias da morte do chefe de iluminação permanecem rigorosamente obscuras .

Crónicas do Diário da Beira

Ferido no joelho , ele perdeu a cabeça .

Maria do Céu Carmo – Psiquiatra

Os antigos prisioneiros terão a alegria de se reencontrar para lembrar os anos de sofrimento .

Bento Ferreira – Juiz

A policia e a justiça são as duas mão do mesmo braço .

Juliana Faria – TV Globo

O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos . Teme-se que não haja vitimas .

Paulo Aguiar – TV Globo

O acidente foi no tristemente célebre Rectângulo das Bermudas.

Lídia Moreno – Rádio Voz de Arganil

Quatro hectares de trigo foram queimados . A principio trata-se de um incêndio.

João Cunha – Testemunha de crime

O velho reformado , antes de apertar o pescoço da sua mulher até à morte , suicidou-se .

A História

"(…)É como saltar.

    - Saltar?

    -Sim, para saltar é preciso dar um impulso para a frente, mas para o fazer é preciso tomar balanço, portanto,é preciso voltar para trás. Senão se volta para trás, não se vai para a frente. Pois bem, tenho a sensação de que,para dizer o que faço depois, preciso de ter muitas ideias sobre o que fazia antes."

Umberto Eco, A misteriosa chama da rainha Loana