quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Carlos Paredes - Canção de Embalar

Vídeo de Carlos Paredes a tocar esta música no Cais das Colunas.

Que tipo de procedimento administrativo “especial” se aplica na Linha do Tua?

(Este "post" é um comentário grande a este "post" e a esta notícia).

Não sou "historicista" mas tenho reparado que o procedimento é, grosso modo, similar ao que já aconteceu no inicio da década de 90.

Primeiro deixar a linha ao abandono, depois mudar os horários de maneira a que as pessoas deixem de viajar. Seguidamente é esperar pelos acidentes (ou provocá-los mas eu não gosto de teorias da conspiração).

Posteriormente, antes de as decisões serem "efectivamente tomadas de acordo com o direito administrativo em vigor" "roubam-se" as infra-estruturas e a seguir diz-se que tem de se acabar sem dar as respostas satisfatórias ou legalmente exigidas.

Acho que esta gente segue a lição dada ironicamente no prólogo das Viagens na Minha Terra de Garrett. Arranjaram uma fórmula para escrever a "novela" e agora repetem-na.

Eu gostava de poder ajudar mais para combater esta ignomínia para além de mandar umas postas mas não sei o que realmente posso fazer!

Como uma espécie de "Jurista" acho que o processo padece de várias ilegalidades e de alguns problemas relativamente ao mérito da decisão mas o meu "conhecimento de causa" é muito incipiente. Achei estranho, por exemplo, que não tivesse sido feita uma audiência efectiva dos interessados, uma vez que esta foi feita numa altura em que toda a gente andava "adormecida" pelas festas de Natal.

Também nunca percebi quais as vantagens que os outros autarcas (principalmente os de Macedo e Bragança) retiram da conivência com esta situação (e com a de 1990).

Estas medidas prejudicam a região e parece que aqueles que foram eleitos para zelar por ela (excepto o Autarca de Mirandela) agem, no mínimo, com negligência. Parece que essa gente se preocupa mais em arrecadar empreitadas e fazer almoços/convívio/campanha eleitoral durante o mandato junto dos mais idosos do que em defender os interesses que estão obrigados por mandato e por lei a defender.

Sinceramente, sinto-me impotente e gostava de ajudar a acabar com esta palhaçada. Afinal de contas que Estado de Direito é Portugal? Este procedimento cheira-me muito mal!

O lado negro da crise

Cómicos de garagem.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ai, caramba

Sabendo que estou a plagiar um pessoa com a Diligentia de uma Bona Mater Familias, decidi que, apesar de tudo, devia acender uma vela aos santinhos!

Desculpem lá mas, apesar de tudo, não é todos os dias.

Argumentos que caem pela base



Muita gente não se importa com o fecho da Linha do Tua porque ela é insegura. É um argumento falaz e digo-vos porquê.


O problema da insegurança da linha só se pôs há muito pouco tempo. Não nos esqueçamos que a linha tinha 100 anos quando se deu o primeiro acidente grave. O problema principal é a falta de manutenção e o abandono a que a linha foi votada. Ali ao lado estão fotos da via. Não é preciso mais do que aquelas imagens para perceber o problema. (Aqui também está um texto giro sobre os acidentes).


A linha não dá, de facto, muitos postos de trabalho conforme disse há pouco tempo a Secretária de Estado dos Transportes, mas, a barragem também não dará após (e mesmo durante) a sua construção. Já noutros tempos o fim da ferrovia e do transporte de mercadorias significou, nesta zona, o fim de muitas indústrias que dependiam do comboio para colocar as suas mercadorias noutros pontos do País.


Directamente, esta linha cria receitas ligadas ao turismo. No verão, apesar da difícil acessibilidade e do abandono, os comboios andavam cheios, com pessoas em pé, para passear pela zona. A linha é conhecida internacionalmente pela sua beleza. Esta Zona pertence à zona demarcada do Douro Vinhateiro (UNESCO). É uma região para aproveitar e melhorar, não para destruir.


Mais, haverá prejuízo na mobilidade das pessoas das áreas directamente afectadas. Os autocarros de substituição são sempre muito bons até passarem seis meses e começarem a mudar os horários com o primeiro autocarro a sair às 6:00 da manhã e o segundo a chegar as 19:00 ou depois! Passado pouco tempo alegam-se prejuízos (pudera!) e acaba-se ali o "transporte de substituição".


Muito honestamente, penso que é um roubo que se pratica contra esta gente. Não tardará muito que o interior de Trás-os-Montes seja pouco mais que Bragança, Vinhais (?), Chaves, Macedo de Cavaleiros, Vilariça, Palaçoulo e Miranda do Douro (e algumas, poucas, cidades e aldeias mais). A cultura que existe é uma cultura de emigração e disso sou eu vivo exemplo. É pena que uma região com tantas virtualidades seja esquecida. Aumentam-se as assimetrias, as indústrias fixam-se com dificuldade…


Quando se tornar num deserto não será necessário gastar dinheiro em campanhas eleitorais nessa zona, uma vantagem óbvia!

As imagens têm sido roubadas de sites e blogues…

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

Interessante…

Esta crítica faz todo o sentido… Os métodos não mudam, só as pessoas.

Augusto Neves & Os Fiat Lux - Anda cá ao Tio



Esta música faz hoje todo o sentido.

Ideia gamada daqui.

Sinto-me triste

Cada vez mais acredito que estamos num país que não é ingovernável, apenas é mal governado. Uma palhaçada pegada, um circo! Conhecemos as receitas mas não as usamos, os cargos governativos são um meio para pessoas que mal investiram na sua formação atingir um posto mais alto . Servem para pessoas saltarem para empregos bem remunerados.

Cada vez mais este país me mete dó, nojo e repulsa. Não é a ignorância ou o estado andrajoso dos pobres mas a estupidez e o provincianismo dos que se querem ricos que me assusta. Hão-de reparar que a maioria dos "cosmopolitas" portugueses são mais provincianos que um jovem dos confins de Trás-os-Montes. Falta-nos uma coisa, o saber que deve orientar a nossa acção. Vestimo-nos melhor e apurámos os modos mas não porque isso nos venha da razão, do estudo, do tacto ou mesmo da intuição mas do facto de sermos umas "marias que vão com as outras".

Falta-nos o saber que cria critérios que fundamentam o agir. Somos uns manequins dentro de fatos novos, incapazes de ideias, menos provincianos mas, mesmo assim, metemos dó. Há alguns que escapam, pelos quais eu tenho um enorme respeito, porém… são poucos no meio de 10 milhões. É triste ver que se quer destruir tudo em nome da "modernidade", não se sabe, contudo, o que isso é. Modernidade não é, para nós, explorar o que já temos mas votá-lo ao abandono, é construir sem critério. Hoje mesmo estava a subir a Av. da Republica a pé (a estação de metro do Saldanha fecha mais cedo por estes dias) e reparava em prédios antigos e casas apalaçadas paredes meias com prédios que se dizem "modernos", prefiro chamar-lhes mamarrachos.

Mas eu sou da província, que percebo das modernidades modernas? Sei do que gosto e do que não gosto e que gosto cada vez menos desta porcaria.

Gostei de ter lido este texto.

O site do Movimento Cívico Pela Linha do Tua vai estar sempre ali ao lado e a petição também.

Ainda sobre a barragem que afundará parte da Linha do Tua

Lembro-me de ir para Bragança e para o Porto quando era criança antes de a linha entre Bragança e Mirandela ter sido desactivada. Ficava maravilhado com a paisagem (a minha mãe, perto do Tua, ficava aterrada, só descansava dentro dos túneis). Tamanho espanto assemelha-se ao horror que sinto quando penso que a linha pode ser afundada.

Pode encontrar-se uma petição contra o fecho da linha aqui. Este é o site do Movimento Cívico Pela Linha do Tua.

sábado, 24 de janeiro de 2009

"Desceu sobre nós a mais profunda e a mais mortal das secas dos séculos – a do conhecimento íntimo da vacuidade de todos os esforços e da vaidade de todos os propósitos."

Barão de Teive, A Educação do Estóico

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Eles Fodem Tudo e Não Deixam Nada

Troço da Linha do Tua por onde eu (e mais como eu) passava para ir para o Porto.


Em vez de reabilitar destruir. Belo princípio de equidade intergeracional... e não só. Paisagem única, subaproveitada, com potencial para auxiliar o desenvolvimento do Norte do País, poderá, infelizmente, ser destruída (o troço entre Mirandela e Bragança foi desactivado em 1992). Alguém ficará a ganhar (mas não me parece que seja o colectivo, a Iberdrola anda metida ao barulho e eu nunca acredito na mulher de César)! Há países que aproveitam estas paisagens. Por aqui tentam destrui-las como se tentaram destruir, outrora, as gravuras em Foz Côa.

Se os nossos netos nos recordarem o que farão? Irão chorar e orgulhar-se de nós ou irão cuspir no nosso retrato?

Isto, no fim, cá fica, para os ratos! (Por enquanto está entregue a outros animais).





A minha aldeia aparece aqui algures, dá-se um prémio a quem descobrir onde.



Aqui, para acabar, excertos de uma viagem entre Mirandela e o Tua: